TASCA DA ESTAÇÃO

9.4.05

Contra a corrente

Quase uma semana depois de morto, Wojtyla está, finalmente, enterrado. E, ao sétimo dia, o mundo descansou.

Talvez agora os que lhe reivindicam a canonização parem para pensar: em 27 anos de afastamento do espírito do Vaticano II e da "teologia da libertação", na promoção de entidades sinistras tipo Opus Dei e Congregação para a Doutrina da Fé (a do ultra-conservador Ratzinger, sucedâneo, apesar de tudo bem mais inofensivo, do Santo Ofício), no reforço do centralismo na figura do Papa, autoridade absoluta da Igreja, no absoluto contravapor a toda e qualquer tendência reformadora mas, principalmente, na condenação do uso do preservativo, numa altura em que a SIDA alastrava de forma galopante. A culpa pelo alastramento da SIDA não foi, como é óbvio, culpa de João Paulo II, mas é verdade que ele em nada contribuiu para o evitar. E, depois de ver os milhões que assistiram às suas exéquias, mais me convenço que ele, mais do que ninguém, tinha obrigação disso.